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HISTÓRIAS POPULARES

A Formiguinha

A formiguinha ficou presa na neve. Aflita pediu ao sol:
-Ó sol tu és tão forte derrete a neve que meu pé prende.
- Mais forte é a nuvem que me encobre.
-Ó nuvem tu és tão forte que encobres o sol que derrete a neve que meu pé prende.
-Mais forte é o vento que me espalha.
-Ó vento tu és tão forte que espalhas a nuvem que encobre o sol que derrete a neve que meu pé prende.
-Mais forte é o muro que me abriga.
-Ó muro tu és tão forte que abrigas o vento que espalha a nuvem que encobre o sol que derrete a neve que meu pé prende.
-Mais forte é o rato que me fura.
-Ó rato tu és tão forte que furas o muro que abriga o vento que espalha a nuvem que encobre o sol que derrete a neve que meu pé prende.
-Mais forte é o gato que me come.
-Ó gato tu és tão forte que comes o rato que fura o muro que abriga o vento que espalha a nuvem que encobre o sol que derrete a neve que meu pé prende.
-Mais forte é o pau que me bate.
-Ó pau tu és tão forte que bates no gato que come o rato que fura o muro que abriga o vento que espalha a nuvem que encobre o sol que derrete a neve que meu pé prende.
-Mais forte é o lume que me queima.
-Ó lume tu és tão forte que queimas o pau que bate no gato que come o rato que fura o muro que abriga o vento que espalha a nuvem que encobre o sol que derrete a neve que meu pé prende.
-Mais forte é a água que me apaga.
-Ó água tu és tão forte que apagas o lume que queima o pau que bate no gato que come o rato que fura o muro que abriga o vento que espalha a nuvem que encobre o sol que derrete a neve que meu pé prende.
-Mais forte é o homem que me bebe.
-Ó homem tu és tão forte que bebes a água que apaga o lume que queima o pau que bate no gato que come o rato que fura o muro que abriga o vento que espalha a nuvem que encobre o sol que derrete a neve que meu pé prende.
- Mais forte é a morte que me leva.
-Ó morte tu és tão forte que levas o homem que bebe a água que apaga o lume que queima o pau que bate no gato que come o rato que fura o muro que abriga o vento que espalha a nuvem que encobre o sol que derrete a neve que meu pé prende.
- Sou tão forte que até a ti te levo.

(Santa Casa da Misericórdia da Lousã)


A luz apagada

Dois viajantes que faziam os seus negócios (nesse tempo dormia-se em pensões) então passaram numa determinada pensão e acharam que era indicada para dormirem, essa pensão era governada por duas senhoras: mãe e filha. Mas elas tinham uma empregada muito bonita por quem um dos viajantes ficou apaixonado e então combinaram passar aquela noite juntos. Ela disse-lhe qual era o quarto, mas recomendou-lhe que quando entrasse não acende-se a luz. E ele assim fez.
No outro dia de manha estava toda a gente muito triste. Então ele perguntou o que se passava. A rapariga contou-lhe que a avó que estava à muito tempo acamada tinha sido encontrada morta com um sorriso nos lábios e uma moeda na mão.

Sra. Preciosa Galvão (Santa Casa da Misericórdia de Soure)


A morte do Ourives

História passada em Figueiró do Campo.
Trata-se de uma história real com alguma fantasia à mistura.

Lá em Figueiró do Campo,
Lá se deu um grande espanto,
Um Serralheiro malvado que matou o José Dias
Que andava pelas aldeias a fazer o seu mercado.

Foi numa tarde de Agosto
Que um ourives bem-disposto
Àquela Terra chegava
E logo se dirigiu
À casa onde sempre viu
Uns amigos de quem gostava.

Quando o serralheiro o viu,
No mesmo instante lhe pediu
Para que abrisse a maleta
E ao ver tanta fartura
Num ataque de loucura
Matou-o com uma marreta.

Após o crime cometido
Foi para a festa divertido
Cheio de anéis e vaidade.

Foi então que a população
Aproveitando a ocasião
Alertou a autoridade
Começou-se a procurar
E o assassino a acompanhar
Ação esta que nos arrasa
Depois de tanta batida
Encontrou-se o ourives sem vida
na cave daquela casa.

(O serralheiro terá matado o ourives e escondido o corpo na cave da casa. Encheu-se de anéis e terá ido para a festa da Sra. da Saúde. Diz-se que as pessoas cantavam estas quadras.)

Sr. António garrido (Santa Casa da Misericórdia de Soure)


A Tia Miséria

Vivia numa cabana muito velha, uma velhinha, muito, mas muito velha, já ninguém lhe sabia a idade. Vivia tão pobremente que todos lhe chamavam Tia Miséria. A única riqueza da velhota era uma pereira que uma vez por ano lhe dava umas lindas e saborosas peras. Mas coitada! Os catraios da vizinhança, ainda as peras não estavam maduras, já eles subiam à pereira e lá comiam as peras à pobre Miséria. Um dia, bateu-lhe à porta um velhinho e pediu-lhe esmola e guarida por uma noite pois ia em peregrinação e precisava de se abrigar.
A Miséria mandou-o entrar, deu-lhe para se cobrir o único farrapo que tinha e deu-lhe o último bocado de pão duro que tinha para comer. No dia seguinte o viajante disse-lhe:
   - Para lhe agradecer, concedo-lhe um desejo. Diga-me qual e eu o realizarei.
A tia Miséria disse:
   - Só queria que quando subissem acima da minha pereira não pudessem mais descer para não me roubarem as minhas ricas peras.
   - Assim será. - Disse o homem.
Passado algum tempo bateram-lhe novamente à porta. A tia Miséria viu uma figura sinistra que lhe disse assim:
   - O teu tempo terminou, venho para te levar.
   - Quem és tu? - Perguntou a tia Miséria.
   - Sou a morte.
   - Mas eu não quero ir ainda, disse a velhota.
   - Mas tem de ser, venho com essa missão e como tal terás de me acompanhar.
   - Muito bem, disse a tia Miséria.
   - Mas por favor concede-me um último desejo.
   - Pois sim, disse a morte.
   - O que queres?
   - Sobe àquela pereira e traz-me aquela linda pera que está no cimo, para eu comer antes de seguir viagem.
A morte assim fez. Subiu à pereira e quando foi para descer não conseguiu e ficou agarrada à árvore. Então começou a gritar:
   - Ó tia Miséria tire-me daqui. A tia Miséria disse-lhe:
   - Só te tiro daí se prometeres não me levar. Depois de muito tempo chegaram a um acordo e a morte desceu e foi-se embora sem levar a tia Miséria. E é esta a razão porque, enquanto houver mundo, a Miséria existirá sobre o mesmo.

Sr. Tiago (Santa Casa da Misericórdia de Soure)


A velhice

Certa altura, havia um velhinho que estava sempre sentado à porta de sua casa! Todos os dias passava por ele um rapaz que não lhe dizia nada: nem sequer “bom dia” ou “boa tarde”! Um dia, já meio farto da situação, o velhinho foi ter com o jovem e disse-lhe:

- Oh rapaz que vais passando
Diz-me adeus e vem-me ver;
Quem tu és já eu fui.
E quem eu sou tu vens a ser.

Sra. Georgina (Santa Casa da Misericórdia de Soure)


Mãe e filhas

A mãe disse para as filhas. Vocês estão a crescer e qualquer dia casam. Uma era muito trabalhadora, a outra era preguiçosa. A mãe disse-lhes:
   - Quando vocês casarem, ao fim de um ano vou ver qual de vós tem a casa mais farta!
Assim foi, as meninas casaram e ao fim de um ano a mãe foi visitá-las. A que era trabalhadora tinha uma casa limpa com tudo do bom e do melhor e apresentava-se muito bem vestida. A que era preguiçosa apresentou-se toda rota, a casa suja e cheia de miséria. O marido estava presente aquando da visita e a mãe disse:
   - Ó Manuel, tu não tens vergonha da tua mulher andar assim?
   - Deixe lá minha sogra que eu vou ensiná-la. Um dia foi à feira e disse à mulher:
   - Tens de vir comigo porque eu vou trazer muita coisa e sozinho não posso!
Ela respondeu: - Não posso ir, estou nua!
Ele insistia. – Levas o meu capote!
Ela vestiu o capote e lá foram para a feira. O homem entretanto retira-se e quando volta diz-lhe:
   - Fui agora intimado para ir a tribunal, tens que me devolver o meu capote!
Ela disse não puder, pois estava nua. Ele insiste e tira-lhe o capote à força. Ela sem solução no meio de toda a gente põe uma mão à frente e outra a traz e começou a correr e a gritar “Arreda que foi de aposta!!!” (significando que teria ido nua para a feira por uma aposta perdida).
Voltou para casa e começou a fiar o linho para fazer roupa. Nisto chega o homem que diz:
   - O que fazes?
   - Estou a fiar o linho para arranjar roupa para vestir.
   - Isso está muito grosso! Exclama o homem.
   - Ai Homem!! Grosso e delgado, tudo cobre o rabo, fino e grosso tudo cobre o osso!
E assim apanhou uma ensinadela, daí para a frente mudou e tornou-se uma mulher como a sua irmã.
A mãe voltou e ficou contente por o marido lhe ter posto juízo e direitinha como um fuzo.

Sra. Assunção Seco (Santa Casa da Misericórdia da Lousã)


Nem tudo o que parece, é...

Era uma vez um casal que tinha duas filhas, uma chamava-se Prazer e a outra Alegria. O marido tinha uma viola! À noite ele tocava e as filhas e a mulher cantavam e dançavam! Um dia o marido disse para a mulher:
   - Quando eu morrer quero que me ponhas a viola dentro do caixão!
   - Não tenho lá lugar para a meter! (Disse a mulher).
   - Tens pois… metes a viola entre as pernas! (Disse o marido).
Entretanto o marido faleceu e a mulher cantava:
   - Lá te vais!! Cá me deixas com Prazer e Alegria e aí levas entre as pernas com que eu me divertia!

Sra. Conceição Rodrigues (Santa Casa da Misericórdia de Penela)


O Lobo e a Velha

Era uma vez numa aldeia, uma velha muito velha que vivia longe da filha. Um dia, decidiu ir visitá-la, e como na altura o único meio de transporte era a pé, meteu-se ao caminho e lá foi toda contente. Mas, a meio do caminho encontrou um lobo que lhe disse:
   - Oh velha, eu como-te!
A velha aflita e tentando escapar disse:
   - Oh lobo! não me comas agora que eu vou a casa da minha filha comer. Quando vier, venho muito mais gordinha e tu comes-me nessa altura!
O lobo, pensando no petisco que teria mais tarde, e como não tinha muita fome, deixou-a passar e ela lá seguiu o caminho. Chegou a velha a casa da filha e passou lá uns dias magníficos! Quando estava a chegar a altura de vir embora começou a mostrar-se preocupada e a filha perguntou-lhe:
   - Oh mãe, o que é que se passa?
   - É que quando eu vinha para cá encontrei um lobo. Fiz um trato com ele, de só me comer pela altura de eu regressar a casa. E agora não tenho como escapar!
   - Oh mãe, não há problema! Você mete-se dentro de uma cabaça muito grande que eu tenho e passa a rebolar pelo lobo, que ele nem a vê!
E assim fizeram. Quando a velha ia no caminho, encontrou o lobo e ele perguntou-lhe:
   - Oh cabaça, não viste por aí uma velha?
   - Não vi velha, nem velhinha, não vi velha nem velhão, corre corre cabacinha, corre corre cabação. E assim a velha se escapou e chegou a casa sã e salva.

Sra. Deolinda Gonçalves (Santa Casa da Misericórdia de Soure)


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