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Intervenções
A Necrópole Rupestre do Alto do Calvário

Em 2011, com o projeto da Rede Urbana dos Castelos e Muralhas do Mondego, o Município de Miranda do Corvo elaborou um plano de requalificação do Alto do Calvário, que incluía a intervenção dos únicos vestígios do antigo Castelo, ainda presentes no morro: a cisterna e a torre sineira. Os primeiros trabalhos de prospeção arqueológica que decorreram na zona do Alto do Calvário tinham, assim, como principal finalidade colocar a descoberto a muralha do castelo que fazia parte da Linha Defensiva do Mondego e que ali existiu até finais do século XVIII.

Através das sondagens realizadas no terreno foi possível identificar uma estrutura em pedra, datada dos finais da Idade Média, que garantia o acesso à torre e um derrube constituído por pedras de grandes dimensões, datado do século XVII, que correspondia a parte da muralha do castelo, entre outras descobertas que não permitem uma identificação e datação seguras.

As mesmas escavações permitiram ainda identificar uma ocupação antiga do morro do Caramito constituída por uma necrópole de sepulturas escavadas na rocha. Esta necrópole poderia estar associada ao templo mandado construir no século XII pelo presbítero Árias, ainda não localizado. Contam-se 28 sepulturas, na sua maioria antropomórficas, onde foram enterrados mais de 40 indivíduos de ambos os sexos, adultos e não adultos. Noutra zona do morro, identificaram-se mais 6 sepulturas escavadas na rocha mas que correspondem a enterramentos mais tardios datados do final da Idade Média ou inícios da Idade Moderna.

As sepulturas identificadas junto à Torre Sineira encontram-se organizadas, dispostas paralelamente, muito próximas umas das outras. A maioria apresenta orientação NO-SE, uma ligeira variação aos cânones cristãos da época, que determinavam que os defuntos deviam ser enterrados com a cabeça virada para Oeste. Desta forma, no Dia do Juízo Final, ao levantar-se, ficavam virados para Oriente, onde Deus descerá à Terra. É nas necrópoles articuladas com locais de culto que as sepulturas têm a mesma orientação, pois os edifícios atuavam como polo orientador das necrópoles que os envolviam.

Na zona Oeste do cabeço, junto às escadas para o Cristo Rei, foram identificadas 2 sepulturas, cujos indivíduos foram enterrados de acordo com a tradição islâmica, em decúbito lateral direito, a olhar para Este. Trata-se de uma descoberta interessante mas como os trabalhos ainda não foram concluídos nesta área, é impossível, de momento, atribuir uma cronologia precisa para tais enterramentos.

Apesar dos vários vestígios identificados, a estratigrafia do Alto do Calvário é pobre e apresenta muitas lacunas. Muitos são os momentos de ocupação do sítio sobre os quais não temos dados. O problema da origem e edificação do castelo mantém-se em aberto. Contudo, os vestígios identificados permitiram corroborar os dados históricos conhecidos, como é o caso do declínio e abandono da fortificação que estão, agora, comprovados, não só do ponto de vista documental como do ponto de vista arqueológico.

Atualmente, sabemos que o espaço é utilizado como necrópole há pelo menos 900 anos.
 
A Necrópole Rupestre do Alto do Calvário
 
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